4 lições sobre o estilo de gestão de Elon Musk

Controverso, excêntrico, apaixonado por inovação e reconhecido pela capacidade de correr riscos, o novo proprietário do Twitter e CEO da Tesla, Elon Musk, tem chamado a atenção de especialistas em Recursos Humanos e gestores por seu estilo de liderança e pela forma como se relaciona com os funcionários.

No fim de outubro, por exemplo, Musk entrou na sede do Twitter, em São Francisco (EUA), carregando uma pia. Era uma alusão a uma expressão em inglês que faz um trocadilho com a palavra sink (pia) para sugerir a aceitação de mudança radical, algo como “deixe a ficha cair”. Desde que assumiu o comando da rede social, após um processo de compra bastante conturbado, o homem mais rico do mundo provoca um terremoto com mudanças drásticas, que chegam a levantar dúvidas sobre a continuidade do Twitter.

Uma das mais recentes decisões foi o ultimato dado aos empregados: aqueles que não estivessem dispostos a trabalhar por longas horas e “em alta intensidade” deveriam pedir para sair. O resultado foi uma debandada de funcionários de todos os escalões. Musk, que já havia demitido cerca da metade dos 7 mil colaboradores e a maior parte da diretoria, precisou se reunir com funcionários essenciais para convencê-los a ficar. E mais: o número de usuários, marcas e celebridades que desistem de usar a plataforma é crescente.

Portanto, qualquer passo pode ser decisivo para um fracasso ou para uma jogada exitosa do bilionário. Os especialistas apontam falhas na reorganização do Twitter a partir das máximas da gestão empresarial e observam caminhos para uma condução mais assertiva.

Separamos lições do estilo de liderança de Musk e o que mudou desde a pandemia. Para saber mais, siga lendo o artigo.

  1. Mudança brusca de cultura

Sem abrir canais de diálogo, uma das primeiras ações de Musk foi acabar com o home office, propor uma jornada semanal de 80 horas e reduzir as regalias no escritório, como comida grátis. Especialistas alertam que a cultura de uma organização não pode ser mudada de uma hora para outra. O estilo de liderança pragmática, com foco só nos

resultados, funcionava bem há 20 anos, mas não tem bons resultados no mercado de trabalho de hoje, que cobra mais empatia e acolhimento.

  1. Demissões em massa

Depois de demitir metade do quadro para cortar custos, o Twitter entrou em contato com dezenas de funcionários considerados estratégicos pedindo que voltassem. Alguns foram avisados do desligamento por e-mail, outros só descobriram após o acesso a sistemas ser bloqueado.

Não dar o direito de fala ao colaborador que está indo embora é desrespeitoso e vai causar impactos na capacidade de atração e retenção de talentos no time. Além de elevar a insegurança nas equipes, esse modo de agir mostra falta de transparência e de uma comunicação assertiva com os colaboradores.

  1. Relação com a geração Z

Em contrapartida à exigência de Musk de exigir o retorno ao trabalho presencial, uma pesquisa realizada pela Through Exchange mostra que a geração Z está tão satisfeita em trabalhar em casa que 71% daqueles que trabalham remotamente ou híbrido dizem que não retornariam a um local de trabalho totalmente presencial. A mesma pesquisa indica, ainda, que 79% dos entrevistados valorizam ter um gestor que se preocupa tanto com seu desenvolvimento pessoal quanto com seu crescimento profissional.

Alguns colaboradores do empresário já afirmaram que, para Musk, trabalhar sob pressão é o que gera resultados e desenvolvimento pessoal e profissional.

Entretanto, os membros da geração Z comparados às gerações anteriores são os mais preocupados com a saúde mental. Mesmo que acostumados a um cenário fluido, os mais jovens valorizam o equilíbrio e buscam oportunidades em empresas que oferecem flexibilidade no ambiente de trabalho, além do salário.

  1. Rejeição interna

Pouco antes de efetivar a compra do Twitter, Musk declarou que pretendia enxugar em 75% o quadro funcional. Estrategicamente ou não, ele parece estar bem próximo desse objetivo. Os funcionários estão deixando claro que não aceitam a nova cultura de trabalho intenso e ausência de diálogo. E usam o próprio Twitter para criticá-lo, ainda que isso leve à

demissão. O problema maior é a fuga de cérebros, com a saída de desenvolvedores estratégicos.

O exemplo vem do líder

Hoje em dia, a palavra liderança tem um peso grande, que vai além de cargo e hierarquia. Mais do que habilidades técnicas, os líderes precisam possuir e desenvolver determinadas competências, garantindo que seus liderados atinjam bons resultados, desenvolvendo novas lideranças dentro da empresa. Além disso, o líder é o responsável por representar a empresa diante de stakeholders. Suas atitudes e posturas devem, portanto, cativá-los.

O otimismo, a paixão pela inovação e a audácia de correr riscos alimentaram o sucesso de Musk. Porém, as qualidades que o tornaram um bilionário podem levá-lo à ruína se o narcisismo e o ego seguirem norteando suas tomadas de decisão.

Até o cenário se completar, é interessante ver como ajustar a perspectiva sobre alguém que pode fazer a mesma pessoa parecer um herói e um vilão na mesma situação. A crise do Twitter também foi, pelo menos em parte, criada por ele. O consenso entre os funcionários que foram demitidos, incluindo o ex-CEO, e os funcionários que se demitiram é claro: as ações de Musk não mostram respeito por aqueles que criaram e administraram o Twitter.

Deixe um comentário